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Sem Glúten

Dieta sem glúten é recomendada para não celíacos?

Retirar o glúten da alimentação se tornou uma prática adotada por muitas pessoas que desejam emagrecer

Nós já falamos aqui que a doença celíaca é um problema autoimune que gera uma intolerância permanente ao glúten. Estudos mostram, também, que a dieta sem glúten pode melhorar os sintomas gastrointestinais e/ou sistêmicos em outras doenças, como na síndrome do intestino irritável, artrite reumatóide, esclerose múltipla ou enteropatia do HIV, entre outras (saiba mais aqui).


Retirar o glúten da alimentação se tornou, nos últimos anos, uma prática nutricional adotada por muitas pessoas que desejam emagrecer. Isso acontece porque, ao retirar trigo, cevada e centeio da alimentação, acaba-se cortando outros alimentos calóricos do cardápio.


No artigo “À moda do glúten”, o médico cancerologista Drauzio Varela afirma que “evitar glúten, lactose e todos os alimentos que contêm OMDPPFs (grupo de carboidratos que contêm oligossacarídeos, monossacarídeos, dissacarídeos, polissacarídeos e polióis fermentáveis, que são absorvíveis pela mucosa intestinal) torna as refeições restritivas, monótonas e com risco de não oferecer os micronutrientes essenciais ao organismo”.


Segundo o médico, o erro está em desconsiderar que “OMDPPFs também são encontrados em concentrações elevadas em cebolas, alhos, leite, iogurte, maçãs, cerejas, mangas, assim como em alguns legumes e vegetais que sofrem fermentação no intestino e podem provocar sintomas semelhantes aos da alergia ao glúten”. Ou seja, se houver uma restrição a todos alimentos com OMDPPFs, a nutrição ficará prejudicada.


E há uma questão mais importante que precisa ser levada em consideração: cortar o glúten sem necessidade pode gerar uma intolerância futura. “É como se o organismo esquecesse como digerir o glúten. Então, se a pessoa fica muito tempo sem consumi-lo, é como se a enzima que digere o glúten esquecesse sua função, o que pode fazer a pessoa desenvolver, por exemplo, uma sensibilidade ao glúten”, explica a nutricionista Maria Fernanda D’ottavio.


Além disso, não há comprovação científica de que a restrição ao glúten ajude na redução do peso. A nutricionista Maria Fernanda D’Ottavio comenta que quando se adota uma dieta restritiva de glúten a pessoa restringe o glúten, ela restringe alimentos como bolo, pão, macarrão, chocolate; comendo menos, a redução de peso é uma consequência.


A recomendação da profissional para quem quer perder peso é simples: ter equilíbrio. “Não adianta restringir e nunca mais comer um determinado alimento”, frisa. É preciso escolher bem os alimentos, buscando uma nutrição completa.