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Orgânicos

Substituição ecológica: bioinsumos agrícola

Utilizar defensivos biológicos para combater pragas que ameaçam as lavouras se tornou mais uma tendência para a produção agrícola e vai ampliar ainda mais o mercado de orgânicos brasileiros.

Cada vez mais atual e necessária, a busca pelo sustentável é crescente em todos os âmbitos e pode ser implementada de diferentes formas e em diversas áreas da sociedade. Nesse contexto, os chamados bioinsumos agrícolas vêm ganhando espaço e devem garantir ao Brasil a liderança mundial no setor da agropecuária sustentável, produtiva e ambientalmente equilibrada nos próximos anos. Para quem não é da área, os bioinsumos ainda são desconhecidos, por isso, neste post, trouxemos mais detalhes sobre esta técnica.


Segundo o decreto N° 10.375 de 2020, são considerados bioinsumos qualquer produto, processo ou tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana destinados ao uso na produção, no armazenamento e no beneficiamento de produtos agropecuários, abrangendo os sistemas de produção agrícola, pecuária, aquícola e florestal. 


O conjunto de bioinsumos agrícolas é amplo e abrange desde inoculantes, promotores de crescimento de plantas, biofertilizantes, produtos para nutrição vegetal e animal, extratos vegetais, defensivos feitos a partir de micro-organismos benéficos para controle de pragas, parasitas e doenças, tais como fungos, bactérias e ácaros, até produtos fitoterápicos ou tecnologias com ativos biológicos na composição, seja para plantas seja para animais, bem como para processamento e pós-colheita. Tais tecnologias ecológicas  proporcionam melhor crescimento, desenvolvimento e mecanismos de resposta no metabolismo dos animais, plantas e microrganismos. 


O mercado de bioinsumos agrícolas foi responsável, em 2019, pela movimentação de R$675 milhões em biodefensivos. Os dados foram divulgados pela Embrapa. Em 2020, o governo federal já contabilizava 275 defensivos biológicos registrados e 321 inoculantes, um insumo biológico que contém microrganismos de ação benéfica para o crescimento das plantas. 


Apesar dos avanços, ainda existe um certo receio quanto aos bioinsumos por parte de alguns produtores, pecuaristas e agricultores. O uso desse tipo de insumo foi de encontro à criação de outras tecnologias que entregavam soluções para os mesmos problemas e que eram mais simples de serem utilizadas. 


No entanto, a busca por soluções sustentáveis - de alto valor agregado para o  consumidor - restabeleceu o interesse pelos bioinsumos. Esse fato resultou no incremento de incentivos à prática como, por exemplo, a criação do Programa Nacional de Bioinsumo. A iniciativa do Ministério da Agricultura pretende estruturar o desenvolvimento e a regularização de produtos de origem biológica, bem como ampliar a oferta, o acesso e incentivar a adoção e uso correto dos mesmos. 


Os estudos ligados à matéria também estão em crescimento e são necessários dado que os bioinsumos demandam conhecimentos técnicos e controle de qualidade durante as etapas de produção para poder promover os benefícios ambientais e econômicos esperados. Na Embrapa, por exemplo, são mais de 600 pesquisadores atuando em projetos dedicados ao controle biológico e ao desenvolvimento de inoculantes. 


Enfim, os bioinsumos chegaram para reduzir custos de produção, diminuir o impacto ambiental e ampliar a agricultura e a pecuária sustentáveis. E o maior impacto deles será no estímulo de todo o mercado de orgânicos no Brasil, uma excelente notícia para todos nós.